Florbela Espanca (1894-1930) nasceu em Vila Viçosa, Alentejo. Registada como filha de pai incógnito, foi no entanto educada pelo pai (João Maria Espanca) e pela madrasta; tal como o seu irmão, Apeles Espanca, nascido em 1897, e a quem Florbela estava ligada por fortes laços afectivos. Estudou no liceu de Évora e, mais tarde, em Outubro de 1917, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Na capital, contactou com outros poetas da época e com o grupo de mulheres escritoras que então procurava impor-se. Colaborou em jornais e revistas, entre os quais Portugal Feminino. Em 1919, publicou a sua primeira obra poética, Livro de Mágoas, quando ainda frequentava o terceiro ano de Direito. Em 1923, publicou o Livro de Sóror Saudade. Os três casamentos falhados e as desilusões amorosas, e ainda a morte do irmão num acidente com o avião que tripulava sobre o rio Tejo, em 1927, marcaram profundamente a sua vida e obra. Em Dezembro de 1930, Florbela morreu em Matosinhos, tendo sido apresentada como causa da morte, oficialmente, um «edema pulmonar». Postumamente foram publicadas as obras Charneca em Flor (1930), Cartas de Florbela Espanca, por Guido Battelli (1930), Juvenília (1930), As Marcas do Destino (1931, contos), Cartas de Florbela Espanca, por Azinhal Botelho e José Emídio Amaro (1949) e Diário do Último Ano seguido de Um Poema Sem Título, com prefácio de Natália Correia (1981). O livro de contos Dominó Preto ou Dominó Negro, várias vezes anunciado (1931, 1967), seria publicado em 1982.